A viatura foi localizada esta manhã numa estrada que estava interditada devido às cheias. A GNR mantém todas as linhas de investigação abertas enquanto aguarda perícias forenses.
SOURE – O que parecia ser um trágico acidente provocado pelas condições meteorológicas adversas ganhou contornos de incerteza esta manhã. Após dez dias de buscas intensas, o casal desaparecido desde o dia 10 de fevereiro foi encontrado sem vida no interior da viatura, submersa numa estrada inundada em Soure. Embora a desorientação causada pelas cheias seja a hipótese mais óbvia, a Guarda Nacional Republicana (GNR) confirmou que não exclui a possibilidade de crime.
Os Pontos-Chave da Investigação
A descoberta ocorreu após o alerta de um popular, que avistou o veículo numa zona da bacia do Mondego severamente fustigada pelas inundações. O cenário levanta questões críticas para os investigadores:
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A Sinalização da Via: O carro foi encontrado numa estrada que, na noite do desaparecimento, estaria cortada ao trânsito. A via estava sinalizada apenas com fitas, o que levanta a dúvida: terá o condutor ignorado o aviso por falta de visibilidade ou houve outro fator que levou o veículo até ali?
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O Percurso das Vítimas: O casal regressava de Coimbra após uma consulta médica. A triangulação das antenas de telemóvel já apontava para aquela área, mas a força das águas dificultou a localização exata nos primeiros dias.
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Intervenção Externa: O Núcleo de Investigação Criminal (NIC) está no local a recolher provas. A grande questão é perceber se o veículo caiu na água por acidente ou se houve algum evento prévio que forçou a viatura a sair da estrada.
Mobilização de Meios Especializados
A operação de remoção da viatura e dos corpos é complexa e exige o apoio de mergulhadores da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS). O trabalho pericial divide-se agora em duas frentes:
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Exame ao Veículo: Para detetar possíveis danos mecânicos ou sinais de colisão anteriores à submersão.
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Exames Forenses: As autópsias serão determinantes para confirmar a causa da morte e verificar se existem indícios de violência não compatíveis com um afogamento acidental.
“As perícias técnicas serão determinantes para esclarecer se o caso resultou apenas de desorientação causada pelas condições meteorológicas ou se existem indícios de intervenção externa”, afirmou fonte das autoridades no local.
Comunidade em Choque
Enquanto as equipas cinotécnicas e os drones dão lugar aos peritos forenses, a vila de Soure e os concelhos vizinhos de Montemor-o-Velho e Figueira da Foz — também afetados pelas cheias — acompanham o caso com consternação. O silêncio que paira sobre a bacia do Mondego agora só é quebrado pelo ruído das operações de resgate, enquanto a família aguarda pelas respostas que só a ciência forense poderá dar.