A reunião anual do International Football Association Board (IFAB), realizada este sábado no País de Gales, ficará marcada como o ponto de viragem para o futebol do futuro. Sob o peso da recente polémica entre Gianluca Prestianni (Benfica) e Vinícius Jr. (Real Madrid), o organismo que tutela as regras do jogo aprovou medidas drásticas que prometem mudar o comportamento dos atletas já no Mundial de 2026.
O Fim da “Mão na Boca”
A maior novidade surge como resposta direta ao incidente na Liga dos Campeões, onde Prestianni foi acusado de insultos racistas enquanto cobria a boca com a camisola. O IFAB comprometeu-se a punir:
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Confrontos opacos: Jogadores que tapem a boca ao dirigir-se a adversários em tom de confronto serão sancionados.
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Abandono de campo: Deixar o relvado em protesto contra decisões da arbitragem, seja por iniciativa própria ou ordem do banco, passará a ter consequências disciplinares pesadas.
“A transparência e o respeito são pilares que não podem ser escondidos atrás de uma camisola ou de uma mão”, refere o comunicado implícito do organismo.
Guerra ao Relógio: O “Cronómetro de Sobrevivência”
Para combater o desperdício de tempo que assola o futebol europeu, foram introduzidos limites rigorosos que obrigarão a uma aceleração do ritmo de jogo:
| Situação de Jogo | Novo Limite de Tempo |
| Lançamentos Laterais | 5 Segundos |
| Pontapés de Baliza | 5 Segundos |
| Substituições | 10 Segundos |
Além disso, a nova regra para assistência médica promete ser polémica: qualquer jogador assistido em campo terá de aguardar um minuto completo fora das quatro linhas após o reatamento da partida, desencorajando as “lesões estratégicas” nos minutos finais.
VAR: Erros Históricos Corrigidos
O videoárbitro ganha também novos “superpoderes” para evitar injustiças gritantes:
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Segundos Amarelos: O VAR passa a poder intervir se um segundo cartão amarelo (e consequente vermelho) for exibido de forma incorreta.
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Identidade Trocada: Acabam os erros de expulsar o jogador errado em lances de confusão.
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Cantos Indevidos: Se a revisão for imediata, o VAR pode anular um pontapé de canto mal assinalado antes da sua marcação.
O Contexto: O “Caso Prestianni”
Recorde-se que toda esta urgência legislativa nasce da suspensão preventiva de Prestianni. O extremo argentino do Benfica, que arrisca uma pena de dez jogos, continua sob investigação da UEFA após o brasileiro Vinícius Jr. ter denunciado insultos racistas (“mono”) no duelo do playoff da Champions. O silêncio forçado pela mão na boca tornou-se a prova que faltava para o futebol exigir clareza.