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Como escolher um seguro automóvel em Portugal em 2026

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Escolher um seguro automóvel não deve ser apenas uma questão de encontrar o preço mais baixo.

Em Portugal, o seguro de responsabilidade civil automóvel é obrigatório para os veículos abrangidos pela lei. A cobertura obrigatória protege terceiros pelos danos causados pelo veículo, mas não significa que os danos do próprio carro estejam automaticamente cobertos.

Por isso, antes de contratar um seguro, é importante comparar não apenas o preço, mas também as coberturas, exclusões, franquias e condições da apólice.

1. Comece pelo seguro obrigatório

A cobertura obrigatória é a responsabilidade civil automóvel.

Esta cobertura garante indemnizações por danos corporais e materiais causados a terceiros e às pessoas transportadas, com exceção do condutor.

Em 2026, os capitais mínimos são de 6.450.000€ para danos corporais e 1.300.000€ para danos materiais por acidente.

Circular sem este seguro pode resultar em consequências legais, incluindo coima e apreensão do veículo, além da possibilidade de o responsável ter de suportar pessoalmente as indemnizações devidas.

2. Seguro contra terceiros ou danos próprios?

Esta é uma das principais decisões.

Seguro contra terceiros

É a opção mais básica e normalmente apresenta um prémio mais baixo.

Protege principalmente contra os prejuízos que causar a outras pessoas.

No entanto, se provocar um acidente e o seu próprio carro ficar danificado, os danos do seu veículo não ficam automaticamente cobertos.

Seguro com danos próprios

É uma opção mais abrangente.

Apesar de muitas pessoas utilizarem a expressão “seguro contra todos os riscos”, a ASF esclarece que nenhum seguro cobre literalmente todos os riscos. Normalmente, essa expressão é utilizada para seguros que incluem cobertura de danos próprios.

Dependendo da apólice, podem estar incluídas coberturas como:

  • Choque;
  • Colisão;
  • Capotamento;
  • Incêndio;
  • Raio;
  • Explosão;
  • Furto ou roubo.

As coberturas exatas dependem do contrato.

3. Analise a assistência em viagem

Uma avaria pode acontecer mesmo quando não existe acidente.

Por isso, a assistência em viagem pode ser particularmente útil.

Dependendo da apólice, pode incluir serviços como:

  • Reboque do veículo;
  • Transporte dos passageiros;
  • Transporte de bens;
  • Apoio em caso de avaria;
  • Veículo de substituição em determinadas situações.

A ASF identifica a assistência em viagem como uma das coberturas facultativas que podem ser contratadas.

Antes de contratar, confirme exatamente quando a assistência é acionada e quais são os limites.

4. Verifique a proteção jurídica

Outra cobertura que pode ser útil é a proteção jurídica.

Esta cobertura pode ajudar a suportar custos relacionados com a defesa dos interesses do segurado, incluindo determinadas despesas com advogado e processos judiciais ou administrativos, de acordo com as condições da apólice.

Pode ser especialmente relevante quando existe uma disputa relacionada com um acidente.

5. Não ignore a franquia

A franquia é a parte do prejuízo que fica a cargo do segurado.

Por exemplo, imagine uma cobertura de danos próprios com uma franquia de 500€.

Se ocorrer um dano de 3.000€, dependendo das condições do contrato, a seguradora poderá assumir 2.500€ e os restantes 500€ ficarão a cargo do segurado.

Uma franquia mais elevada pode ajudar a reduzir o preço do seguro, mas significa que terá de suportar uma parte maior do prejuízo em caso de sinistro.

Por isso, não escolha automaticamente a franquia mais alta apenas para baixar o prémio.

6. Compare o preço em várias seguradoras

O preço não é igual em todas as seguradoras.

Cada segurador define os seus próprios prémios, e fatores como a idade do veículo, idade do condutor e experiência de condução podem influenciar o preço.

Por isso, procure pelo menos várias propostas antes de contratar.

Mas atenção:

A proposta mais barata nem sempre é a melhor.

Uma apólice pode custar menos porque oferece menos coberturas ou possui franquias mais elevadas.

7. Veja quem é o condutor habitual

Ao contratar o seguro, deve indicar corretamente quem conduz habitualmente o veículo.

O condutor habitual pode ser diferente do tomador do seguro, mas essa informação deve ser comunicada à seguradora.

Se o condutor habitual mudar durante o contrato, a seguradora também deve ser informada.

Nunca altere informações importantes apenas para tentar obter um preço artificialmente mais baixo.

8. Confira as exclusões

Esta é uma das partes mais importantes da apólice.

Não basta saber o que o seguro cobre.

É necessário saber o que fica excluído.

Antes de contratar, leia especialmente:

  • Exclusões;
  • Limites de indemnização;
  • Franquias;
  • Condições para utilização do veículo;
  • Países abrangidos;
  • Regras para assistência em viagem;
  • Condições do veículo de substituição;
  • Condições de acionamento das coberturas.

A ASF recomenda precisamente que o consumidor analise os riscos cobertos e excluídos, as franquias, os países abrangidos e outros critérios da apólice antes de contratar.

9. Veja como o valor do carro é calculado

Esta questão é particularmente importante quando contrata danos próprios.

O valor do veículo pode sofrer desvalorização ao longo do tempo.

Por isso, pergunte à seguradora:

Como será determinado o valor do meu carro em caso de perda total?

A ASF recomenda verificar os critérios utilizados pelo segurador para determinar e atualizar o valor do veículo e a respetiva tabela de desvalorização.

10. Considere a idade e o valor do veículo

Nem sempre faz sentido contratar a cobertura mais completa para qualquer automóvel.

Imagine dois casos:

Carro A: veículo antigo avaliado em 3.000€.

Carro B: veículo recente avaliado em 30.000€.

A diferença de valor pode fazer com que a relação entre preço do seguro e proteção oferecida seja bastante diferente.

Para um veículo mais antigo e de baixo valor, pode fazer sentido analisar cuidadosamente se determinadas coberturas de danos próprios compensam.

Para um veículo recente e caro, a proteção adicional pode ser mais relevante.

A decisão depende da situação financeira do proprietário, do valor do veículo e do nível de risco que está disposto a assumir.

11. Não escolha apenas pelo preço anual

Imagine que recebe estas propostas:

Proposta Preço anual Franquia Cobertura
A 180€ Terceiros
B 230€ 500€ Terceiros + assistência
C 390€ 300€ Danos próprios + assistência
D 470€ 150€ Danos próprios + proteção adicional

A proposta A é a mais barata.

Mas isso não significa que seja a melhor.

Se pretende proteger também o próprio veículo, uma proposta mais cara pode oferecer uma relação custo-benefício mais adequada.

O importante é comparar preço + proteção + franquia + exclusões.

12. O preço pode mudar no futuro

O prémio do seguro pode ser atualizado na renovação.

Além disso, o histórico de sinistros pode influenciar o preço. De acordo com a ASF, a ocorrência de sinistros da responsabilidade do segurado pode levar a agravamentos, enquanto períodos sem sinistros podem contribuir para bonificações, conforme as regras do segurador.

Por isso, não olhe apenas para o preço do primeiro ano.

Considere também como funciona a política de bónus e penalizações.

13. Faça estas perguntas antes de contratar

Antes de aceitar uma proposta, pergunte:

1. Qual é o preço total anual?

2. Que coberturas estão incluídas?

3. Qual é a franquia?

4. O que está excluído?

5. Existe assistência em viagem?

6. Existe veículo de substituição?

7. Existe proteção jurídica?

8. Em que países a cobertura é válida?

9. Como é calculado o valor do veículo em caso de perda total?

10. Como funciona o bónus ou agravamento por sinistros?

Estas informações permitem comparar propostas de forma muito mais justa.

Qual é o melhor seguro automóvel?

Não existe um único seguro que seja o melhor para todos.

Para alguém que procura apenas cumprir a obrigação legal e proteger terceiros, o seguro de responsabilidade civil pode ser suficiente.

Para quem possui um veículo recente ou de valor elevado e pretende proteger também o próprio carro, pode fazer sentido analisar uma apólice com danos próprios.

Para quem viaja frequentemente, a assistência em viagem pode ter maior importância.

A escolha deve ser feita de acordo com o valor do veículo, utilização, orçamento, perfil do condutor e nível de proteção pretendido.

Conclusão

Escolher um seguro automóvel em Portugal não deve ser uma corrida pelo preço mais baixo.

Antes de contratar, compare coberturas, franquias, exclusões, assistência, proteção jurídica, valor seguro e condições de indemnização.

O seguro obrigatório protege terceiros, mas quem pretende proteger também o próprio veículo precisa de analisar coberturas adicionais.

Em 2026, as regras do seguro automóvel continuam a ser atualizadas. A ASF aprovou, por exemplo, a Norma Regulamentar n.º 2/2026-R, que alterou as condições gerais da apólice do seguro obrigatório, com entrada em vigor em 16 de junho de 2026.

Antes de assinar, leia a apólice. Um seguro barato pode sair caro se não cobrir aquilo de que realmente precisa.

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui aconselhamento jurídico ou financeiro personalizado. As coberturas, preços, franquias e condições variam entre seguradoras e contratos.

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