A combinação de tempestades sucessivas e a subida das temperaturas acelerou o degelo, elevando o caudal do rio para níveis críticos. Dez pontos do curso principal do Douro estão sob aviso máximo, com Zamora e Valladolid em vigilância apertada.
Ameaça em Várias Frentes
A Confederação Hidrográfica do Douro (CHD) emitiu um alerta severo para o risco iminente de transbordos em toda a bacia hidrográfica do Norte de Espanha. O cenário é o resultado de um “efeito de pinça” meteorológico: semanas de precipitação intensa trazidas pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta, somadas a um aumento súbito das temperaturas que derreteu precocemente as neves nas montanhas.
Atualmente, a rede de monitorização aponta 13 pontos em aviso vermelho, o nível mais alto de perigo. Destes, a maioria concentra-se no eixo principal do Douro, afetando as províncias de:
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Soria e Burgos: Onde o rio ganha corpo.
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Valladolid: Com caudais em níveis de transbordo.
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Zamora: Ponto crítico pela proximidade com a fronteira portuguesa.
Barragens no Limite
A gestão das infraestruturas hidráulicas tornou-se o principal desafio das autoridades. Com as albufeiras a 82% da sua capacidade total — um valor que supera largamente a média histórica dos últimos dez anos — a margem de manobra para reter água é mínima.
Duas infraestruturas estratégicas estão sob aviso vermelho devido ao volume acumulado:
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Cuerda del Pozo (Rio Douro): Fundamental para o controlo do caudal a montante.
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Barragem de Arroyo (Rio Riaza): Afluente que tem contribuído para a pressão hídrica.
“A prioridade é a segurança das populações ribeirinhas e a coordenação estreita com Portugal para evitar impactos em cascata a jusante,” indicam fontes da CHD.
Impacto Transfronteiriço e Cooperação
A situação em Espanha tem reflexos diretos em Portugal. A gestão dos caudais partilhados é regida pela Convenção de Albufeira, e as autoridades de ambos os países mantêm uma linha de comunicação aberta para gerir as descargas.
Em Zamora, as águas já reclamaram ciclovias e zonas de lazer. Embora o nível tenha oscilado para aviso amarelo nas últimas horas, a estabilidade é precária. O balanço das recentes tempestades na Península Ibérica é pesado, contabilizando-se vítimas mortais e milhares de desalojados, o que coloca os serviços de Proteção Civil em estado de prontidão máxima para os próximos dias.