Portugal terá um breve alívio da instabilidade atmosférica nos próximos dias. No entanto, a convergência de modelos físicos e de Inteligência Artificial acende o alerta para o final do mês: os solos saturados não dão margem para novos excessos.
O cenário de chuva persistente que marcou o início de fevereiro está prestes a fazer uma pausa, mas o “guarda-chuva” não deverá ficar guardado por muito tempo. De acordo com as projeções meteorológicas mais recentes, um anticiclone irá estabelecer-se sobre o território entre os dias 19 e 24 de fevereiro, garantindo céus mais limpos e uma redução temporária da instabilidade.
A “Janela” de Tempo Seco
Esta estabilidade é fruto de um impulso de alta pressão que afastará, momentaneamente, as frentes atlânticas. Será um período de céu limpo e sol, ideal para secar ligeiramente os terrenos, mas os especialistas avisam: a mudança de padrão já tem data marcada.
Consenso entre Modelos: A Chuva Volta com Força
A partir de 25 de fevereiro, a probabilidade de precipitação dispara. O que antes era uma previsão incerta (10-20%) transformou-se numa tendência sólida de 75% de probabilidade de chuva para o fecho do mês e início de março.
O que dá segurança a esta previsão é a rara convergência entre três sistemas distintos:
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ECMWF: O modelo físico europeu de referência.
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AIFS e Graphcast: Modelos baseados em Inteligência Artificial.
“Quando os modelos tradicionais e a IA apontam para a mesma solução, a confiança na previsão aumenta consideravelmente”, sublinham os especialistas do Luso Meteo.
O Perigo dos Solos Saturados
Embora não se preveja, para já, um evento extremo como o “comboio de depressões” que despejou quatro vezes a média mensal de chuva em apenas 15 dias, o risco permanece elevado.
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Rios com caudais altos: A capacidade de retenção é mínima.
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Solos encharcados: Mesmo chuvas moderadas podem causar inundações rápidas e deslizamentos de terra.
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Vórtice Polar e MJO: A reorganização do vórtice polar e a atividade tropical no Índico (Oscilação Madden-Julian) estão a empurrar a humidade de volta para o Atlântico Norte.
Oscilação Térmica: Do Calor à Humidade
A incerteza também se reflete nos termómetros. Se há poucos dias os modelos sugeriam um “cheirinho a verão” com máximas de 26 °C, as atualizações mais recentes corrigiram o cenário para um padrão mais fresco e húmido, típico da transição para a primavera.
Conclusão: Aproveite os próximos dias de sol para atividades ao ar livre e limpezas preventivas, pois o final de fevereiro exigirá atenção redobrada das autoridades e das populações em zonas vulneráveis a cheias.