SÃO VICENTE, CABO VERDE – O que deveria ser o fim de uma viagem de lazer ou trabalho transformou-se num impasse logístico para mais de uma centena de passageiros da EasyJet. Devido ao fenómeno meteorológico da bruma seca, o voo com destino a Lisboa, originalmente previsto para terça-feira, continua sem descolar do Aeroporto Cesária Évora.
O Fenómeno e o Impasse Operacional
A bruma seca — uma densa nuvem de poeira proveniente do deserto do Saara — reduziu drasticamente a visibilidade no arquipélago, tornando as operações aéreas de risco.
A cronologia dos eventos revela uma sucessão de contratempos:
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Terça-feira: O avião foi impedido de aterrar em São Vicente devido à falta de visibilidade.
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Quarta-feira (manhã): Uma nova tentativa resultou num desvio forçado para a ilha do Sal.
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Quarta-feira (tarde): Apesar de a aeronave ter conseguido finalmente aterrar em São Vicente, a tripulação declarou ter atingido o limite legal de horas de voo, impedindo o regresso imediato a Portugal.
Crise de Alojamento no Carnaval
A situação é agravada pela calendarização festiva. Com São Vicente em plenas celebrações de Carnaval, a ocupação hoteleira da ilha está na capacidade máxima.
Sem alternativas providenciadas de imediato, relatos indicam que passageiros — incluindo idosos e pessoas com saúde vulnerável — enfrentam dificuldades severas. “Há relatos de pessoas que terão passado a noite na rua”, afirmou Miguel Figueiredo, um dos passageiros afetados, em declarações à agência Lusa.
Resposta Diplomática e Previsão
O escritório consular de Portugal em São Vicente confirmou que está a monitorizar a situação e a prestar o apoio possível aos cidadãos nacionais. No entanto, o cenário a curto prazo permanece incerto:
“O Instituto de Meteorologia de Cabo Verde prevê que a bruma seca continue a limitar a visibilidade pelo menos até sexta-feira.”
Até ao momento, a companhia aérea EasyJet ainda não emitiu um comunicado oficial detalhando o plano de proteção ou novas datas de embarque para os passageiros afetados.