Comprar uma casa de 200.000€ é um objetivo possível para muitas famílias em Portugal, mas o banco não olha apenas para o preço do imóvel.
Para avaliar um crédito habitação, são considerados fatores como o rendimento, outros créditos, idade, estabilidade financeira, entrada disponível e capacidade para suportar a prestação.
Por isso, a pergunta mais correta não é apenas:
“Quanto preciso ganhar?”
Mas sim:
“Quanto preciso ganhar e quanto dinheiro preciso ter disponível para comprar uma casa de 200.000€?”
Quanto dinheiro preciso para a entrada?
Imagine que o banco financia 90% do valor de aquisição.
Para uma casa de 200.000€:
200.000€ × 90% = 180.000€
Neste exemplo, o comprador teria de financiar 180.000€ e suportar os restantes:
20.000€ de entrada.
Mas a entrada não é o único dinheiro necessário.
Também existem impostos, escritura, avaliação, seguros e outros custos associados à compra e ao crédito.
Por isso, não é aconselhável chegar ao banco com apenas os 20.000€ e ficar sem qualquer poupança.
E se eu tiver 40.000€?
A situação pode ser mais confortável.
Imagine:
Preço da casa: 200.000€
Entrada: 40.000€
Crédito: 160.000€
Além de reduzir o montante financiado, uma entrada maior pode diminuir a prestação mensal e o total de juros pagos ao longo do crédito.
Quanto pode ficar a prestação?
A prestação depende principalmente de:
- Valor do crédito;
- Prazo;
- Taxa de juro;
- Tipo de taxa;
- Seguros;
- Condições oferecidas pelo banco.
Por exemplo, num cenário meramente ilustrativo, um crédito de 180.000€ a 30 anos, com uma taxa de juro de 3,5%, teria uma prestação de capital e juros de aproximadamente 808€ por mês.
Isto é apenas uma simulação matemática.
A prestação real pode ser diferente e pode aumentar ou diminuir dependendo das condições do contrato.
Então, quanto preciso ganhar?
Não existe um salário mínimo universal para comprar uma casa de 200.000€.
Imagine, por exemplo, uma pessoa que ganha:
2.000€ líquidos por mês
e não possui outros créditos.
Uma prestação de aproximadamente 808€ representaria cerca de:
808€ ÷ 2.000€ = 40,4%
do rendimento mensal.
Já uma família com dois rendimentos de:
1.500€ + 1.500€ = 3.000€
teria uma situação bastante diferente.
A mesma prestação representaria aproximadamente:
808€ ÷ 3.000€ = 26,9%
do rendimento conjunto.
Por isso, o rendimento do agregado familiar pode fazer uma diferença enorme.
E se já tenho um crédito automóvel?
O banco não analisa apenas a futura prestação da casa.
Imagine que recebe 2.500€ por mês e já paga:
300€ de crédito automóvel
Se a nova prestação da casa fosse 808€, teria:
300€ + 808€ = 1.108€
em prestações mensais.
Isto representa aproximadamente:
44,3% de um rendimento de 2.500€
Por isso, outros créditos podem reduzir significativamente a capacidade de financiamento.
Quanto maior for a entrada, melhor?
Nem sempre é necessário colocar todo o dinheiro disponível na entrada.
Imagine que possui 50.000€.
Pode ser tentador utilizar os 50.000€ para reduzir o crédito.
Mas também precisa de dinheiro para:
- Impostos;
- Custos da compra;
- Mobilar a casa;
- Reparações;
- Emergências;
- Reserva financeira.
Ficar sem qualquer poupança depois de comprar a casa pode criar dificuldades se surgir uma despesa inesperada.
A entrada deve ser analisada juntamente com a sua reserva financeira.
Quanto devo ter poupado?
Para uma casa de 200.000€, não pense apenas nos 20.000€ de entrada.
Pode ser necessário ter dinheiro adicional para os custos associados à compra, dependendo da situação concreta.
Além disso, é prudente manter uma reserva de emergência depois da compra.
Por exemplo, se as suas despesas essenciais forem 1.200€ por mês, uma reserva de seis meses corresponderia a:
1.200€ × 6 = 7.200€
Assim, o objetivo financeiro não deveria ser simplesmente:
“Juntar 20.000€ para a entrada.”
Pode ser mais adequado pensar:
Entrada + custos da compra + reserva de emergência.
E se comprar sozinho?
Comprar sozinho pode ser mais difícil porque existe apenas um rendimento para suportar a prestação.
Imagine:
Rendimento líquido: 1.800€
Prestação: 800€
Sobram aproximadamente:
1.000€
Mas ainda terá de pagar alimentação, transportes, eletricidade, água, seguros, condomínio, IMI e outras despesas.
Por isso, uma prestação que parece possível no papel pode tornar-se pesada no orçamento real.
E se comprar com outra pessoa?
Quando existem dois rendimentos, a capacidade financeira do agregado pode aumentar.
Por exemplo:
Pessoa A: 1.400€
Pessoa B: 1.300€
Rendimento conjunto: 2.700€
Uma prestação de aproximadamente 800€ representaria cerca de 30% do rendimento conjunto.
Ainda assim, o banco avaliará a situação financeira completa dos candidatos.
Posso comprar uma casa de 200.000€ ganhando 1.500€?
Pode depender da situação.
Se ganhar 1.500€ e tiver outros créditos, despesas elevadas ou pouca entrada, pode ser difícil obter financiamento suficiente.
Se tiver uma entrada muito elevada e poucas responsabilidades financeiras, a situação pode ser diferente.
Por isso, não é possível dizer simplesmente “com 1.500€ não pode comprar” ou “com 1.500€ pode comprar”.
O banco fará uma avaliação individual da capacidade financeira.
E ganhando 2.000€?
Também depende.
Uma pessoa que ganha 2.000€ e não possui outras dívidas está numa situação diferente de outra que ganha os mesmos 2.000€ mas paga:
- 300€ de crédito automóvel;
- 200€ de crédito pessoal;
- 100€ de cartão de crédito.
O rendimento é igual, mas a capacidade financeira é completamente diferente.
Como aumentar as hipóteses de conseguir o crédito?
Existem várias formas de melhorar a situação antes de pedir financiamento:
1. Aumentar a entrada
Quanto menor for o crédito, menor será a prestação.
2. Reduzir outras dívidas
Pagar créditos existentes pode melhorar a capacidade financeira.
3. Aumentar o rendimento
Um rendimento mais elevado pode aumentar a capacidade de financiamento.
4. Construir uma boa reserva
Não coloque todas as suas poupanças na compra.
5. Comparar bancos
As condições de financiamento podem variar entre instituições.
6. Evitar assumir novos créditos antes do pedido
Novas prestações podem afetar a análise da capacidade financeira.
Exemplo de três compradores
Imagine uma casa de 200.000€ e um cenário ilustrativo de financiamento de 180.000€.
| Situação | Rendimento mensal | Outras dívidas | Prestação ilustrativa |
|---|---|---|---|
| A | 1.500€ | 0€ | ~808€ |
| B | 2.000€ | 0€ | ~808€ |
| C | 3.000€ | 0€ | ~808€ |
A mesma prestação pesa de forma muito diferente em cada orçamento.
A: 53,9%
B: 40,4%
C: 26,9%
É por isso que o preço da casa, sozinho, não determina se uma pessoa consegue comprá-la.
Uma regra simples antes de comprar
Antes de procurar uma casa de 200.000€, faça estas quatro contas:
1. Quanto ganho por mês?
2. Quanto pago atualmente em créditos?
3. Quanto tenho disponível para a entrada e custos?
4. Quanto consigo pagar mensalmente sem comprometer o meu orçamento?
Se a prestação deixar pouco dinheiro para as restantes despesas, talvez seja melhor procurar um imóvel mais barato ou aumentar a entrada.
E se a casa custar 250.000€?
A lógica é exatamente a mesma.
Quanto maior for o preço do imóvel:
Maior entrada → maior crédito → maior prestação → maior rendimento necessário.
Por isso, antes de escolher uma casa, estabeleça primeiro o orçamento máximo que consegue suportar.
Não escolha a casa e só depois descubra se consegue pagar.
Conclusão
Para comprar uma casa de 200.000€, não existe um salário único que garanta aprovação do crédito.
Como exemplo, num cenário de financiamento de 90%, seriam necessários cerca de 20.000€ para a entrada, além dos restantes custos da compra.
Se o financiamento fosse de 180.000€ a 30 anos e 3,5% de taxa, a prestação de capital e juros seria aproximadamente 808€ por mês.
Mas o banco analisará também o rendimento, outros créditos, idade, estabilidade financeira e restantes condições do processo.
Por isso, mais importante do que perguntar “quanto preciso ganhar?” é calcular:
quanto tenho para a entrada + quanto consigo pagar por mês + quanto dinheiro me sobra depois de todas as despesas.
Comprar uma casa deve melhorar a sua estabilidade financeira, e não transformar cada mês numa luta para pagar a prestação.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo. As simulações apresentadas são exemplos matemáticos e não representam uma proposta de crédito. As condições de financiamento, impostos, custos de aquisição e critérios bancários podem variar. Antes de contratar um crédito habitação, compare propostas e confirme as condições aplicáveis à sua situação.
