Ao contratar um seguro automóvel em Portugal, uma das principais decisões é escolher entre um seguro contra terceiros ou uma apólice com danos próprios, muitas vezes chamada informalmente de “contra todos os riscos”.
A escolha depende principalmente do valor do carro, idade do veículo, utilização e capacidade financeira do proprietário para suportar eventuais prejuízos.
O que é o seguro contra terceiros?
O seguro contra terceiros corresponde, essencialmente, à cobertura obrigatória de responsabilidade civil.
Se provocar um acidente, esta cobertura pode indemnizar terceiros pelos danos causados, dentro dos limites e condições da apólice.
Porém, não significa que o seu próprio carro fique protegido contra todos os danos.
Pode ser uma opção interessante para:
- Carros mais antigos;
- Veículos de baixo valor;
- Quem pretende pagar um prémio mais baixo;
- Pessoas que conseguem assumir financeiramente eventuais danos no próprio veículo.
Exemplo
Imagine que tem um carro avaliado em 4.000€ e provoca um acidente que causa 2.000€ de danos no seu próprio carro.
Com apenas a responsabilidade civil, poderá ter de suportar esses 2.000€ do próprio bolso, dependendo das circunstâncias.
E o seguro “contra todos os riscos”?
Apesar do nome popular, “contra todos os riscos” não significa que absolutamente todos os acontecimentos estejam cobertos.
Normalmente, esta expressão é utilizada para identificar seguros que incluem coberturas de danos próprios.
Dependendo da apólice, podem estar abrangidos riscos como:
- Colisão;
- Choque;
- Capotamento;
- Furto ou roubo;
- Incêndio;
- Fenómenos naturais;
- Vandalismo;
- Outros danos previstos no contrato.
As coberturas e exclusões variam de seguradora para seguradora.
A principal vantagem
A grande diferença é que, além da proteção contra danos causados a terceiros, pode existir proteção para o próprio veículo.
Por exemplo, se o seu carro sofrer danos num acidente que esteja abrangido pela cobertura contratada, a seguradora poderá assumir os custos de reparação, descontando eventualmente a franquia.
Qual é mais barato?
Normalmente, o seguro contra terceiros é mais barato.
Uma apólice com danos próprios tende a custar mais porque oferece uma proteção mais abrangente.
Por exemplo:
| Contra terceiros | Danos próprios | |
|---|---|---|
| Danos a terceiros | ✅ | ✅ |
| Proteção do próprio carro | ❌/limitada | ✅ conforme contrato |
| Roubo/furto | Normalmente não | Pode incluir |
| Incêndio | Normalmente não | Pode incluir |
| Acidentes causados pelo próprio | Não cobre o próprio carro | Pode cobrir |
| Preço | Geralmente menor | Geralmente maior |
Quando pode compensar o seguro contra terceiros?
Pode fazer sentido quando o carro:
- Já tem muitos anos;
- Tem um valor de mercado relativamente baixo;
- É utilizado pouco;
- Está totalmente pago;
- O proprietário consegue suportar uma eventual reparação.
Imagine um carro avaliado em 3.500€.
Se o seguro com danos próprios custar significativamente mais todos os anos, pode ser necessário analisar se o custo adicional realmente compensa.
Quando pode compensar contratar danos próprios?
Pode ser especialmente interessante analisar esta opção quando o veículo:
- É novo;
- Tem um valor elevado;
- Foi comprado recentemente;
- Está financiado;
- É utilizado diariamente;
- É importante para o rendimento do proprietário.
Imagine um carro de 30.000€.
Nesse caso, sofrer um acidente ou perder o veículo por furto pode representar um prejuízo financeiro muito maior.
Pagar mais pelo seguro pode, portanto, fazer mais sentido.
Atenção à franquia
Este é um dos pontos que mais deve analisar.
Imagine que tem uma cobertura de danos próprios com uma franquia de 500€.
Se ocorrer um dano de 3.000€, poderá ter de suportar os primeiros 500€, ficando o restante sujeito às condições da apólice.
Por isso, não compare apenas:
“Este seguro custa 400€ e aquele custa 600€.”
Compare também:
Preço + franquia + coberturas + exclusões + limites de indemnização.
E se o carro for roubado?
Esta é outra situação em que as coberturas fazem uma grande diferença.
O seguro obrigatório contra terceiros não significa automaticamente que receberá uma indemnização pelo seu próprio carro em caso de furto ou roubo.
Para isso, é necessário verificar se a apólice possui a respetiva cobertura.
Então, qual escolher?
Uma forma simples de pensar é:
🚗 Carro antigo e barato
Contra terceiros pode ser suficiente para muitas pessoas.
🚙 Carro de valor médio
Vale a pena comparar cuidadosamente as duas opções.
🚘 Carro novo ou caro
Danos próprios podem justificar o custo adicional, dependendo da situação financeira e das condições da apólice.
🚐 Carro essencial para trabalhar
Pode ser importante considerar coberturas adicionais, como assistência em viagem e, quando disponível, veículo de substituição.
Uma regra simples
Antes de escolher, faça esta pergunta:
“Se amanhã o meu carro ficar destruído, roubado ou sofrer um dano de milhares de euros, consigo pagar o prejuízo sem entrar em dificuldades financeiras?”
Se a resposta for não, pode valer a pena analisar uma cobertura mais abrangente.
Se a resposta for sim e o veículo tiver pouco valor, o seguro contra terceiros pode ser uma alternativa mais económica.
Conclusão
Não existe um seguro universalmente melhor.
O seguro contra terceiros normalmente oferece a proteção obrigatória e apresenta um custo mais baixo.
O seguro com danos próprios custa geralmente mais, mas pode proteger também o seu veículo contra determinados riscos previstos na apólice.
A decisão deve considerar o valor do carro, idade, utilização, franquia, coberturas, exclusões e capacidade financeira para suportar um prejuízo inesperado.
Não escolha apenas pelo preço. Escolha o nível de proteção que realmente consegue justificar para o seu carro.
Este artigo é meramente informativo. As coberturas, exclusões, franquias e condições variam de acordo com a seguradora e a apólice contratada.
